quinta-feira, 11 de novembro de 2010

08/11/10 (caderno)

Adoro tuas vindas, 
e como meu abdome salgado do meu suor (do nosso suor) pode ser, pra ti, delicioso
assim como e teu é pra mim;
e o cheiro da tua boca
o jeito como me beijas, tão má, quando já é hora de partir.
É um pedido de eternidade, 
de infinito.
Mas sei que não demora muito vais embora de mim
e sei que voltas, pois teus melhores dias
sempre são nossos melhores dias.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

"(…) e me dá uma saudade irracional de você. Uma vontade de chegar perto, de só chegar perto, te olhar sem dizer nada, talvez recitar livros, quem sabe só olhar estrelas… dizer que te considero - pode ser por mais um mês, por mais um ano, ou quem sabe por uma vida - e que hoje, só por hoje ou a partir de hoje (de ontem, de sempre e de nunca), é sincero."


Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os "sobreviventes".

"(...) que aconteça alguma coisa bem bonita com você, ela diz, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve pra longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando."

(Do conto "Os sobreviventes", Morangos Mofados - Caio Fernando Abreu)